quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Back in the Gazeta


Pois é... O amigo Rafa Mattioni me convidou para participar do blog comemorativo da Gazeta Fugitiva, em homenagem à publicação underground que a gente mantinha em 2005 com o amigo Paulino, vulgo Noé...
Eu acho que é importante frisar que eu nem sempre concordo com o que o Rafa escreve...


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Play That Funky Music, Boy!

Mês passado empreendi jornada até a capital a fim de encaminhar três grandes realizações pessoais, das quais, duas se concretizaram... Pelo menos, vi aquele jogaço do Grêmio contra o Flamengo... Fiquei atrás da Excelentíssima pessoa do Sr. Victor Leandro Bagy no primeiro tempo e observei de pertinho todas as infrutíferas tentativas do imperador para derrubar a grande muralha... Tudo muito lindo... Ainda vou ter um filho chamado Victor Leandro...

Mas enfim, outra hora falo mais sobre isso... O mote hoje aqui é outro...

Para chegar em Porto Alegre me vali do ônibus da manhã, que vem de Três Passos repleto de cidadãos teuto-descendentes que descem, majoritariamente, em Novo Hamburgo e São Leopoldo... Era o ápice da epidemia de gripe suína e eu coincidentemente estava com uma estranha alergia que me proporcionava acessos de tosse eventuais, para o pânico dos alemães presentes, que arregalavam os olhos e sussurravam entre eles naquele idioma incompreensível... Mas segurei a vontade de rir...

Eis que passando pela serra, todas as rádios saíram do ar (Exceto aquelas que pregam as maravilhas do Senhor Jesus, para variar, mas eu tava mesmo era a fim de curtir um rock)... Então, catando em meu celular, achei um discaço que eu me esqueci que tinha, e vos apresento agora...
Shuggie Otis - Freedom Flight

Lançado em 1971 (o ano dos grandes discos!), foi uma pequena obra-prima do menino Shuggie. Um prodígio, indubitavelmente, se considerarmo que ele tinha apenas 18 anos na época... Gênio da guitarra, do baixo, da bateria e do teclado, arma uma explosão de blues, soul e funk, na verdadeira acepção da palavra, tão desvirtuada hoje em dia por alguns cariocas mal intencionados. Muitas vezes já passei o constrangimento de me declarar entusiasta do funk e o interlocutor puxar a "atoladinha" ou até recentemente o "titanic".

Mas voltemos a Shuggie e seu disco... é fabuloso o bagulho... Groove chapante... Embora "Strawberry Letter 23" tenha virado hit, achei as outras músicas mais legais, com destaque para "Ice Cold Daydream", "Me and My Woman" e a instrumetal "Purple" (com direito até a um solo de baixo)

Pouco afeito a fama e fortuna, remanesce hoje como conceituado músico de estúdio, gravando esporadicamente...

Coloco ainda seu disco anterior, "Here Comes", que se não é melhor, é tão bom quanto o "Freedom Flight", com destaques para "Oxford Gray", "Jennie Lee", "Hurricane" e... e... bem... o disco inteiro é massa...

Enfim, guardarei para sempre essa viagem, com aquela paisagem e aquele som...

Segue aí...

Freedom Flight (1971)

Here Comes (1970)

(Créditos do Lágrima psicodélica)
Espero que curtam!

PS: Assim que eu tiver tempo, escrevo uma resenha acerca do Rock in Sid 3

domingo, 12 de julho de 2009

Manson, o outro

Em minhas andanças pela internet freqüentemente me deparo com pessoas ditas "fãs do Manson". Quando pergunto a qual Manson elas se referem, recebo uma resposta indignada acompanhada de uma cara incrédula do tipo "Como que Manson?! O Marilyn!!!"

Calma gente, conheço e respeito o cara, sim... O ponto é que me revolta os próprios fãs do cara nunca terem ouvido falar no maluco que inspirou parte do nome artístico do Sr. Marilyn, o famigerado Charles M. Manson.

Charles nasceu em 1934 e foi criado parte pela mãe, que era "afeita à vida noturna", parte por familiares fundamentalistas cristãos. Aparentemente, essa vida deixou o rapaz meio atormentado, e ele passou a juventude cometendo pequenos delitos e entrando e saindo de reformatórios...

Numa de suas passagens pela cadeia, no início dos anos sessenta, aprendeu a tocar guitarra, com um velho assaltante de bancos. Em liberdade, sendo figura bastante carismática, passou a colecionar amantes e amigos, vivendo com todos comunitariamente, como era a moda no tempo do movimento hippie. Acabou se tornando uma espécie de guru, se estabelecendo com seus seguidores, a "Família", em San Francisco.

Porém, esse negócio começou a subir à cabeça de Charles, que acabou transformando a Família em uma espécie de seita messiânica, onde ele próprio era o messias, já que era o único capaz de interpretar as mensagens secretas que os Beatles supostamente passavam para eles através de seus discos.

E piorou, em novembro de 1968, quando os Beatles lançaram o "álbum branco". O disco tinha um som novo, diferente, explosivo e sombrio, e na cabeça de Manson, era o sinal do apocalipse. Encontrando uma profunda explicação subliminar em cada música do disco, manson montou uma espécie de "lista negra" e, com seus seguidores, saiu chacinando as pessoas por aí, escrevendo as letras das músicas nas paredes com o sangue das vítimas, entre outras esquisitices macabras.

Após sua prisão, em 1969, manson ganhou notoriedade com essa aura de serial killer psicopata e ficou famoso. Na esteira do sucesso, foi lançado um disco com gravações que Manson havia feito entre 1967 e 1968 e o intitularam "LIE - The Love and Terror Cult".

E quer saber? É um baita disco! Percebe-se que apesar de louco e maníaco, Manson é um ótimo compositor... O disco carrega uma sonoridade folk meio psicodélica, típica da época, que inclusive lembra uma série de bandas do período, como Jefferson Airplane, Country Joe, entre outros...

Voz, violão, percussão, gatas gostosas fazendo backin' vocals e uma guitarra virtuosa comendo lá no fundo. Indubitavelmente, uma fórmula mágica...

Porém, com as dificuldades de prensagem, senso ético e uma decisão judicial que passava os direitos autorais para as famílias das vítimas, o disco acabou sendo um fracasso de vendas. O que não impediu regravações posteriores de alguns temas por artistas renomados, como os Beach Boys (que regravaram Cease to Exit) e os Guns N' Roses (Que regravaram Look at Your Game Girl), por exemplo. o que demanda uma certa coragem, dadas as letras um tanto sinistras e o estigma advindo de propagar a obra de um assassino.

Ainda assim, é um discaço... Além das músicas já citadas, traz consigo outras pérolas monumentais, como Ego, Sick City e a profética Don't do Anything Illegal.

Posteriormente, os membros remanescentes da Família ainda gravariam mais um disco, interpretando composições de Manson... Alguns subsistem fiéis até hoje


Sem mais delongas, aí está:
http://rapidshare.com/files/114060191/Charles_Manson_-_LIE__1970_.zip
Créditos - Bruunski Beats

Esperamos que gostem.


PS: Conforme o andamento da situação, Manson poderá sair da cadeia em liberdade condicional em 2012

sexta-feira, 19 de junho de 2009

As outras vozes do The Doors

Há horas já que eu queria compartilhar isso aqui, mas queria complementar com alguma reflexão bonita sobre alguma coisa... que se dane...

É um dos últimos discos do The Doors, gravado meses após a morte de Jim Morrison, em 1971. Em verdade as músicas já estavam parcialmente prontas, e algumas até chegaram a ser ensaiadas com Morrison. Mas é muito legal ver como os remanescentes lidaram com a situação.

Basicamente, é um disco normal do Doors, acima da média inclusive. Só que é muito louco de ver esse som ser cantado pelo Krieger e pelo Manzarek. Os teclados tradicionais e a bateria "jazzy" estão ótimos, como sempre, mas a guitarra está mais desinibida, fazendo mais intervenções solísticas, que preenchem bem as lacunas deixadas pela ausência da poesia de Morrison.

Claro, o Jim faz uma falta danada aqui, mas é um disco fantástico... É diferente sendo igual, e tem umas músicas muito legais... "Tightrope Ride" não sai da minha cabeça há uns quinze dias, huahuahua...

Os três ainda gravariam mais um disco no ano seguinte (Ainda estou catando... outra hora posto aqui), mas o público faltou com o devido respeito e preferiu ignorar a banda a vê-la sem Jim Morrison, o que os levou a se dissolverem de vez em 1973. Um tanto triste essa fixação que a massa tem com o frontman, o vocalista, que muitas vezes os impede de ver o talento do resto da banda... Mas deixe quieto...

Segue o link
Créditos (e senha): sam1957

Abraços a todos!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Rock In Sid 2. 6/6/9 Live Pub Sto. Augusto


Meu Chapéu... Eu tinha prometido isso pra semana passada, hauahuahua... É que tive uma semana louca...

Mas enfim... Dia 6 último, tive a oportunidade de assistir e participar de um evento um tanto fora do comum, o "Rock in Sid 2", devido ao sucesso do primeiro.

No dia anterior, eu e o João Paulo (guitarra e vocal, Butanos) havíamos tomado um fogo de proporções monumentais, de andar cambaleando madrugada afora... por isso, no sábado de tarde, quando ele chegou lá em casa com uma latinha de skol na mão, me impressionei com a resistência etílica do meu nobre amigo. resolvi me resguardar um pouco e passar a tarde a seco.

Então fomos até a Live Pub, local do evento, para passar o som... Montei guitarra e teclado enquanto o João mudava para as long necks... A Live é bacana, mas acho que fica num lugar um tanto inadequado para um evento underground. afinal, fica na avenida e faz campanhas poser, o que é muito "mainstream", como diria o amigo Rafa Mattioni...

Pois bem, saltemos algumas horas no tempo. A banda de abertura, a recente "Nitrix", mostrou muita competência, e apesar de ainda não estarem muito entrosados, vê-se um potencial enorme no guitarrista/backin' vocal Lucas, no baterista Vilsinho, no violonista Jarbas e principalmente no vocalista Elvis, que fez performance incrível, embora freqüentemente prejudicado pelo Rafa do som, que ficava botando uns efeitos toscos e desnecerários na voz. E no baixo, tinha uma participação inusitada do Tarly, ex guitarrista da Blekaut, que mandou muito bem. Foi um set curto, de cinco músicas, mas muito jóia... O fechamento, com "Piano Bar" foi lindo. tomara que continuem mandando ver.

Depois veio a "Fim das Obras", com a adição bem sacada de chamar nosso amigo Jonatan 'Minhoca' para os vocais. Furiosa, como sempre, mandaram ver nos clássicos do naipe de "Moto" e "Cachorro Louco", com as costumeiras peculiaridades. O destaque, para variar, foi a atuação ensandecida do Du, esmurrando a bateria em sua pegada forte (fora de empulha!).

Então, o João anunciou o Velvet, e fomos até o palco. Não vou julgar minha própria atuação mas acho que foi divertido. o Destaque aqui foi o próprio João, que, bebendo ininterruptamente desde que acordou, a essas horas já estava completamente alucinado. E resolveu na metade da apresentação subir no palco e pedir pra gente acompanhar ele numas músicas... foi muito louco. tivemos que cortar um terço do repertório por causa da intervenção e o Thiago arrebentou uma corda, mas no final achei bem divertido. Posteriormente uma amiga me perguntou quantas o João tinha cheirado, e eu disse "Não, cara... o João é assim mesmo!". Queria também prestar minha homenagem ao grande Giovani, que quebrou um baita galho em substituir o Wolff, que não pôde comparecer, mandando muito bem no baixo, ainda que não pudemos ensaiar...

Na seqüência, o João se atravessou e anunciou o "Barbaquá Trio", o que deixou confusa a gurizada da "Hard Road" que já estava se arrumando. Assim, entrou o Barbaqua. Foi maravilhoso... Nunca tinha visto o Marcelo amparado por uma banda, e o Giovani e o Gerônimo formam uma cozinha forte, concisa e sensacional. Mas enfim, nosso amigo, mestre das doze cordas, promoveu o momento mais "love & peace" do festival, o que eu achei muito legal. Mandaram ver uns Rita Lee, me chamaram pra cantar em "Stand by me", emularam inadvertidamente a performance de Raul Seixas no Hollywood Rock '75 e fecharam com a "Casa de Rock", do Casa Das Máquinas, pra delírio da gurizada.

Aí sim, veio a "Hard Road", que entrou quebrando tudo numa versão alucinada de "Jumpin' Jack Flash", com um lampejo de técnica do mestre Davi, que conseguiu extrair a perfeita sonoridade "sixties" que a música exige, coisa que pouquíssimos bateristas se propôem a fazer hoje em dia. ainda que tenha matado a pau em toda a apresentação, é claro. O Juliano também se destaca pelo fato de ser um dos únicos baixos que eu ouvi com clareza, devido ao descaso do Rafa do som com o pessoal dos graves (na verdade com quase todo mundo, visto que eu próprio ouvi muito mal as guitarras, vocais e teclado! Mas isso é outra história...). E o Thanior, sempre dando um show. Destaque para"Highway to hell" (sempre magnífica!) e "Sob um céu de blues", onde o pessoal agitou bastante e o solo foi como um tapão na orelha, só faltando aquele feedbackzinho no fim, que eu não ligo porque acho que nem o próprio Nei Van Sória consegue mais fazer igual...

Depois veio "Jack Drive". Tudo o que falei da Hard Road se aplica também aqui. mesmo efêmero, foi matador. chegaram detonando "Born to be wild", metendo "Back in Black" na seqüência. Depois ficou meio morno. Mas foi interessante ver o Patrick do baixo, que fazia tempo que eu não via e perceber que o Matheus está cada vez melhor naquela guitarra...

Pra encerrar veio o "Sonorah". Já era quatro da matina e metade do pessoal tinha ido embora, o que eu achei um tanto desreipeitoso, mas total... foi uma apresentação um tanto acidentada, pois o Alemão Matheus estava revoltado porque não conseguia ouvir o baixo, o Bonnes furioso porque não tinha retorno e o Charles completamente bêbado, fatores que prejudicaram um pouco algumas músicas, como "Prisioneiro", onde faltou a pegada explosiva da formação anterior. Mas entre perdas e ganhos, foi muito bom. "Enter Sandman" foi um monumental desfecho para o festival.

Posteriormente, o Rafa do som botou uns funks cariocas pra tocar... daí eu vim embora...


No final das contas, o saldo foi positivo. Curti bastante essa segunda edição do Rock In Sid e acho que a gurizada também, mas continuo preferindo a primeira, pois a Sobasa, além de ser um lugar mais underground, ainda oferece ambiente lounge open air pra gurizada poder conversar, fazer uma roda de viola e "otras cositas mas".

Já anunciaram a terceira edição mais pro fim do ano... tomara que honre as anteriores...
Flw!
Abraços!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Um pouco de xadrez

Quatro e pouco da manhã... 4°C lá fora... é tão estranho eu gostar do inverno e achar beleza nisso, enquanto todo mundo pragueja rispidamente contra esses três meses.

Mas enfim, foi mais uma terça feira tranqüila... de repente me liguei que falta pouco mais de um mês para as férias e isso me deixa loco de faceiro...

Caiu um avião da Air France perto de Fernando de Noronha. Num lapso de humor negro, achei uma grande evolução na elegância de nossos desastres, visto que nos anos noventa só dava aqueles TAM caindo nas favelas de São Paulo. Se bem que o presidente também teve um lapso similar ao meu e declarou, acerca dos esforços na busca pelos vestígios do acidente, um monumental:

"País que acha petróleo a seis mil metros de profundidade pode achar avião a dois mil!"

De fato, ele é o cara!

Inclusive, mais cedo, quando estava alimentando meu lado gazeteiro com a gurizada na cantina do DCE, surgiu a especulação de que era uma jogada de marketing para o lançamento dum possível "Lost 2".

Porra, ninguém mais se compadece das vítimas...

Mas enfim, tive duas surpresas muito agradáveis. A primeira, foi lendo o blog da minha amiga Moga. Não tenho pretensão de roubar a filosofia dela, que é sempre muito bonita. Mas é que ela relatou a experiência inusitada de uma segunda colocação num campeonato de xadrez. Na hora, me bateu um "É... já passei por isso..."

O ano era 2005... eu estava me formando e percebi que ao contrário dos meus amigos, eu nunca tinha ganho nenhuma medalha. ta certo que os esportes onde eu me destacava (sinuca, guitarra, passa ou repassa, war) não faziam parte de competição nenhuma (Salvo exceção o pingue pongue, mas a gente já tinha o Gibran, que era prata da casa incontestável nessa área; e o vôlei, por motivos que não convém mencionar). Assim sendo, decidi me inscrever nos esportes mais inusitados possíveis, a fim de ganhar alguma coisa por W.O.

Infortunadamente, o treinador vetou minhas pretensões à bocha e ao bolão, me restando apenas o xadrez.
Posteriormente soube que mais três tiveram a mesma idéia, e tivemos que fazer um todos contra todos, do qual miraculosamente saí vencedor, ainda que continuo achando que a Isa representaria melhor nossa escola.

De qualquer forma, passamos ao regional, em Ijuí. Vesti meu uniforme e me conduziram ao porão, onde estava se realizando o torneio de truco e canastra, e mandaram esperar para ver se aparecia algum adversário. Extremamente radiante, esperei mais de uma hora, até que veio o representante de Cruz Alta, esbaforido, e meu sorriso desmoronou.

O maluco era definitivamente o nerd mais estereotipado que eu já vi, com óculos grandes, comentários técnicos e tal... devia jogar xadrez desde o berço... disseram que ele tinha vencido a eliminatória dele em três jogadas e antevi minha derrota. mas não desisti, memorizei os ensinamentos do mestre Flori ("abre com os peões do meio e libera o bispo", "a melhor defesa é o ataque", etc.), estampei um sorriso cínico "blasé", que na época era moda e mandei ver.

Foi parelho, deixei ele com dois peões e a rainha, enquanto ele me reduziu a uma torre e um peão, mas o maluco conseguiu uma segunda rainha e me acuou. e ia narrando o jogo, o animal!! "Agora a jogada escadinha!"...

Mas foi divertido... no outro dia as pessoas vinham me cumprimentar pelo segundo lugar entre dois competidores, mas afinal, era uma piada boa demais para se desperdiçar...


A segunda coisa foi a descoberta dum disco muito legal, duma daquelas "bandas gaúchas que ninguém conhece", o Laranja Freak. É o segundo disco deles, muito legal, bem psicodélico, como o nome sugere, e me lembra os momentos mais rock d'A Sétima Efervescência, do Mestre Júpiter Maçã. Se tu curtiu A Sétima Efervescência vai amar isso aqui...

http://www.easy-share.com/1904242307/Laranja%20Freak(2004)Brasas_Lisérgicas[DURANGO-95].rar
Créditos ao Durango 95, especialista em bandas gaúchas que ninguém conhece...
Enjoy!

Em tempo, sábado tem Rock in Sid 2, na Live Pub, em Santo Augusto. Os ingressos começaram a ser vendidos hoje, e tenho a expectativa de que vai ser um evento monumental, do porte do anterior. Vou lá cobrir e posto a resenha aqui depois...

Flw!
Abraços!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Chove em Santo Augusto/Aeroblus

Ta tudo jóia... Cinza, frio, chuvoso e muito lindo... Esse é o clima do Rio Grande! Nada melhor do que degustar um chocolate ouvindo os pingos suaves lá fora... Considerando que é sexta feira, creio que mais tarde alguém da gurizada vai me ligar pra ir fazer alguma coisa... mas enquanto isso, que tal discutir um pouco de rock?

Pois bem, estava eu anteontem a escrever uma carta para minha nobre amiga e ex-vocalista Jéssica (Sim, eu ainda escrevo cartas!), quando relatei um episódio negativo acerca do último carnaval, onde a única coisa que conseguiu me deixar um pouco pra cima foi uma música bastante visceral de uma banda argentina chamada Aeroblus, "Tema Solísimo", onde Alejandro Medina berra a plenos pulmões sob um riff pulsante de doze compassos... segue a letra:


Estoy muy solo!
No hay lugar adonde ir
Estoy muy solo!
No hay lugar adonde ir
Después de pensar un poco
No me gusta estar así

Mañana oscura
Es señal de soledad
Mañana oscura
Es señal de soledad
No debo cerrar los ojos!
Yo debo ver mi voluntad!


E dá-lhe solo virtuoso... foi uma daquelas situações onde uma música consegue dizer exatamente o que você está sentindo. bastante terapêutico... profundo até... Mas me permitam compartilhar mais dessa obra prima...

Tudo começou quando o já aclamado guitarrista Norberto "Pappo" Napolitano foi para a Inglaterra em 1976 e tomou contato com uma cena bastante efervescente, num breve momento onde coexistiram o hard rock, o progressivo e o punk. Pappo também conheceu o grande Lemmy, recém egresso do Hawkwind que estava com a idéia de montar uma banda poderosa, projeto aprovado e apoiado por Pappo, que começou uma parceria com o baixista.

As versões se confundem a partir desse ponto, mas aparentemente Pappo teve problemas com a imigração e tentou trazer Lemmy para a Argentina, o qual também teve esse tipo de problema e teve que ficar na Inglaterra, onde deu continuidade ao projeto que seria mais tarde o nosso querido Motörhead.

Ao retornar as margens lamacentas do prata, Pappo chamou o baixista Alejandro Medina (que já havia tocado com ele no disco "Pappo's Blues 4", de 1974) e o baterista Rolando Castello Jr. (Brasileiro, perdido por lá, dono de pegada violenta), onde produziram aquele que é talvez o melhor disco de rock já feito na américa latina. Claro, me refiro a um hard rock tradicional recheado de distorção, slide, wah wah, baixo bem tocado, bateria vintage, letras legais, esquema de doze compassos, que os não iniciados certamente vão achar uma porcaria monumental.



Tanto é que a banda não foi pra frente e acabou pouco tempo depois.

É estranho que o preconceito que temos com os "hermanos" nos impeça de ter contato mais profundo com essa cultura, tão próxima e tão distante, de tal forma que não conheço ninguém mais que conheça esses caras (exceto o Lemmy, que acredito que todo mundo conheça!)

Aliás, não conhecia. No início de fevereiro, quando a turnê de lançamento do terceiro disco do Vera Loca (criativamente intitulado "III") passou aqui em Santo Augusto, pude trocar uma idéia com o guitarrista deles, Hernán Gonzales, argentino, que me contou não apenas ser fã do Pappo, como também ter morado na mesma rua que ele, nos anos oitenta. Ele curte mais os projetos posteriores do cara, como a banda RIFF, mas mesmo assim, me senti menos sozinho no mundo, huahauha.

Sem mais delongas segue o link:
http://lix.in/-462b71
(não testei esse, mas aparentemente é confiável :D)

Abraços a todos!