Pois bem, estava eu anteontem a escrever uma carta para minha nobre amiga e ex-vocalista Jéssica (Sim, eu ainda escrevo cartas!), quando relatei um episódio negativo acerca do último carnaval, onde a única coisa que conseguiu me deixar um pouco pra cima foi uma música bastante visceral de uma banda argentina chamada Aeroblus, "Tema Solísimo", onde Alejandro Medina berra a plenos pulmões sob um riff pulsante de doze compassos... segue a letra:
Estoy muy solo!
No hay lugar adonde ir
Estoy muy solo!
No hay lugar adonde ir
Después de pensar un poco
No me gusta estar así
Mañana oscura
Es señal de soledad
Mañana oscura
Es señal de soledad
No debo cerrar los ojos!
Yo debo ver mi voluntad!
E dá-lhe solo virtuoso... foi uma daquelas situações onde uma música consegue dizer exatamente o que você está sentindo. bastante terapêutico... profundo até... Mas me permitam compartilhar mais dessa obra prima...
Tudo começou quando o já aclamado guitarrista Norberto "Pappo" Napolitano foi para a Inglaterra em 1976 e tomou contato com uma cena bastante efervescente, num breve momento onde coexistiram o hard rock, o progressivo e o punk. Pappo também conheceu o grande Lemmy, recém egresso do Hawkwind que estava com a idéia de montar uma banda poderosa, projeto aprovado e apoiado por Pappo, que começou uma parceria com o baixista.
As versões se confundem a partir desse ponto, mas aparentemente Pappo teve problemas com a imigração e tentou trazer Lemmy para a Argentina, o qual também teve esse tipo de problema e teve que ficar na Inglaterra, onde deu continuidade ao projeto que seria mais tarde o nosso querido Motörhead.
Ao retornar as margens lamacentas do prata, Pappo chamou o baixista Alejandro Medina (que já havia tocado com ele no disco "Pappo's Blues 4", de 1974) e o baterista Rolando Castello Jr. (Brasileiro, perdido por lá, dono de pegada violenta), onde produziram aquele que é talvez o melhor disco de rock já feito na américa latina. Claro, me refiro a um hard rock tradicional recheado de distorção, slide, wah wah, baixo bem tocado, bateria vintage, letras legais, esquema de doze compassos, que os não iniciados certamente vão achar uma porcaria monumental.Tanto é que a banda não foi pra frente e acabou pouco tempo depois.
É estranho que o preconceito que temos com os "hermanos" nos impeça de ter contato mais profundo com essa cultura, tão próxima e tão distante, de tal forma que não conheço ninguém mais que conheça esses caras (exceto o Lemmy, que acredito que todo mundo conheça!)
Aliás, não conhecia. No início de fevereiro, quando a turnê de lançamento do terceiro disco do Vera Loca (criativamente intitulado "III") passou aqui em Santo Augusto, pude trocar uma idéia com o guitarrista deles, Hernán Gonzales, argentino, que me contou não apenas ser fã do Pappo, como também ter morado na mesma rua que ele, nos anos oitenta. Ele curte mais os projetos posteriores do cara, como a banda RIFF, mas mesmo assim, me senti menos sozinho no mundo, huahauha.
Sem mais delongas segue o link:
http://lix.in/-462b71
(não testei esse, mas aparentemente é confiável :D)
Abraços a todos!