Calma gente, conheço e respeito o cara, sim... O ponto é que me revolta os próprios fãs do cara nunca terem ouvido falar no maluco que inspirou parte do nome artístico do Sr. Marilyn, o famigerado Charles M. Manson.
Charles nasceu em 1934 e foi criado parte pela mãe, que era "afeita à vida noturna", parte por familiares fundamentalistas cristãos. Aparentemente, essa vida deixou o rapaz meio atormentado, e ele passou a juventude cometendo pequenos delitos e entrando e saindo de reformatórios...
Numa de suas passagens pela cadeia, no início dos anos sessenta, aprendeu a tocar guitarra, com um velho assaltante de bancos. Em liberdade, sendo figura bastante carismática, passou a colecionar amantes e amigos, vivendo com todos comunitariamente, como era a moda no tempo do movimento hippie. Acabou se tornando uma espécie de guru, se estabelecendo com seus seguidores, a "Família", em San Francisco.
Porém, esse negócio começou a subir à cabeça de Charles, que acabou transformando a Família em uma espécie de seita messiânica, onde ele próprio era o messias, já que era o único capaz de interpretar as mensagens secretas que os Beatles supostamente passavam para eles através de seus discos.
E piorou, em novembro de 1968, quando os Beatles lançaram o "álbum branco". O disco tinha um som novo, diferente, explosivo e sombrio, e na cabeça de Manson, era o sinal do apocalipse. Encontrando uma profunda explicação subliminar em cada música do disco, manson montou uma espécie de "lista negra" e, com seus seguidores, saiu chacinando as pessoas por aí, escrevendo as letras das músicas nas paredes com o sangue das vítimas, entre outras esquisitices macabras.
Após sua prisão, em 1969, manson ganhou notoriedade com essa aura de serial killer psicopata e ficou famoso. Na esteira do sucesso, foi lançado um disco com gravações que Manson havia feito entre 1967 e 1968 e o intitularam "LIE - The Love and Terror Cult".
E quer saber? É um baita disco! Percebe-se que apesar de louco e maníaco, Manson é um ótimo compositor... O disco carrega uma sonoridade folk meio psicodélica, típica da época, que inclusive lembra uma série de bandas do período, como Jefferson Airplane, Country Joe, entre outros...Voz, violão, percussão, gatas gostosas fazendo backin' vocals e uma guitarra virtuosa comendo lá no fundo. Indubitavelmente, uma fórmula mágica...
Porém, com as dificuldades de prensagem, senso ético e uma decisão judicial que passava os direitos autorais para as famílias das vítimas, o disco acabou sendo um fracasso de vendas. O que não impediu regravações posteriores de alguns temas por artistas renomados, como os Beach Boys (que regravaram Cease to Exit) e os Guns N' Roses (Que regravaram Look at Your Game Girl), por exemplo. o que demanda uma certa coragem, dadas as letras um tanto sinistras e o estigma advindo de propagar a obra de um assassino.
Ainda assim, é um discaço... Além das músicas já citadas, traz consigo outras pérolas monumentais, como Ego, Sick City e a profética Don't do Anything Illegal.
Posteriormente, os membros remanescentes da Família ainda gravariam mais um disco, interpretando composições de Manson... Alguns subsistem fiéis até hoje
Sem mais delongas, aí está:
http://rapidshare.com/files/114060191/Charles_Manson_-_LIE__1970_.zip
Créditos - Bruunski Beats
Esperamos que gostem.
PS: Conforme o andamento da situação, Manson poderá sair da cadeia em liberdade condicional em 2012